Saiba como fugir de propostas oferecidas pelo banco

Muitas vezes os gerentes oferecem serviços bons apenas para os bancos e não para os clientes. Conheça as situações mais comuns!

Você já deve ter recebido ligações do banco em que tem conta (ou até de outros) com várias opções de compra sendo oferecidas. Se já passou por essa situação, sabe que essas ofertas parecem sempre muito boas e a tentação de aceitar alguma delas pode ser grande. A seguir, você acompanha algumas situações em que o gerente do banco faz ofertas que parecem imperdíveis, mas que nem sempre são a melhor opção para o seu bolso.

1. Investimentos

O gerente do banco tem conhecimento sobre os produtos financeiros, mas dificilmente ele é especialista em algum deles. Uma das ofertas mais comuns é aplicar em ações, porém, este tipo de investimento exige grande entendimento. É necessário estar muito bem informado sobre o assunto, saber o que acontece nos diferentes mercados ao redor do mundo e ter noção de economia.

“Se o cliente perder dinheiro, não vai ter como culpar o gerente, a menos que o produto tenha sido vendido de forma enganosa. No caso de investimento em ações, é preciso contratar um profissional que entenda muito bem disso, afinal, você prefere arriscar ou não? Isso quem vai dizer é uma pessoa especializada. Não tem como culpar o banco a menos que ele sugira uma coisa muito absurda ao consumidor, como pegar a previdência privada ao invés do INSS porque ele terá lucro”, explica a supervisora de assuntos financeiros do Procon-SP, Renata Reis.

Sempre que oferecerem algo a você, procure questionar o gerente e saber mais informações sobre o produto: pesquise o histórico de rentabilidade, as taxas de administração cobradas e compare com outros investimentos similares. Algumas aplicações não permitem tirar o dinheiro aplicado a qualquer momento, chamado de tempo de resgate. É muito importante verificar isso pois, caso precise do dinheiro, ele poderá não estar disponível para você. O tempo de resgate costuma ser apresentado da seguinte forma:

  • D0 ou liquidez diária: significa que você pode tirar o dinheiro da aplicação no mesmo dia.
  •  D+1: significa que você só pode sacar um dia útil depois de ter solicitado.

2. Venda casada

Ela acontece quando você está procurando um serviço e o gerente tenta fazer você comprar mais algum outro serviço.  A situação mais comum é quando o consumidor vai adquirir uma linha de crédito: ali ocorre a tentativa de vincular outro serviço a ele, como um seguro ou título de capitalização. “O consumidor precisa do dinheiro, pode ficar acuado com as ofertas que são feitas. O gerente vai falar que ele aceitou, que ele não coagiu ninguém, mas a prática existe. Alguns bancos argumentam que se o cliente não pegar o seguro o crédito não será liberado, por exemplo”, conta Renata.

Fique esperto: é preciso estar atento, especialmente na hora de assinar o contrato, porque é lá que vai estar descrito o que foi comprado. O ideal é recusar na hora. De toda forma, se comprar algo que não queria, procure cancelar imediatamente com outra pessoa do banco.

3. A taxa oferecida

Ela nem sempre é a melhor para o seu bolso. Tenha em mente que o gerente é funcionário do banco e, se ele tiver que oferecer a maior taxa para você, ao invés daquela que seria mais vantajosa, assim ele fará.

Você pode confirmar se não consegue uma proposta melhor e analisar as outras taxas que o banco tem. Você pode fazer isso pelo site ou pesquisas em sites confiáveis, mas o ideal é não aceitar a primeira taxa que o gerente oferecer.

4. Título de capitalização

Os bancos costumam oferecer esse serviço como algo para incentivar a pessoa a poupar dinheiro e, de quebra, ainda concorrer a prêmios. São aplicações financeiras periódicas, normalmente mensais, que garantem a devolução do valor aplicado no dia em que ficar definido no contrato. Como aplicação financeira, a capitalização é ruim pois rende pouco ou quase nada. Além disso, se você sacar antes vai receber apenas parte do que aplicou.

O que atrai muitos consumidores é a possibilidade de ganhar prêmios. Se for esse o seu caso, considere esse dinheiro como um gasto em jogos de azar e não como uma aplicação que terá bons rendimentos.

5. Mexer no dinheiro da aposentadoria

O empréstimo consignado é uma opção interessante, pois costuma oferecer taxas de juros menores do que outras opções de crédito. Entretanto, o empréstimo deve ser feito sempre com muita cautela, pois as parcelas serão descontadas direto da aposentadoria ou pagamento. Ou seja, se você vivia com determinada quantia em dinheiro vai ter de passar a viver com menos. Por isso, é preciso avaliar com calma e não pegar mais dinheiro do que o necessário.

6. Venda de cartão

O cartão de crédito é um produto financeiro interessante para ajudar nas compras. Entretanto, o atraso no pagamento das faturas gera um dos maiores juros do mercado. Por isso, é preciso controle nos seus gastos. Evite comprar por impulso e procure sempre quitar os boletos de cobrança regularmente. Isso evita que os juros aumentem o valor a ser pago.

“Existem dois tipos de cartão de crédito: o básico, que não está atrelado a nenhum tipo de recompensa e é mais barato; e o diferenciado, que está relacionado a um programa de recompensas oferecido pelos bancos e é mais caro. Cabe ao consumidor parar e pensar se vale a pena pegar o que custa mais só por esses prêmios”, conta Renata.

Fique esperto: você tem direito a serviços gratuitos!

Quantas vezes o gerente de um banco te ligou para falar que você tem direito a serviços gratuitos por mês?

É isso mesmo! Existem direitos que quem abre uma conta corrente tem, e eles devem ser avisados ao cliente no momento em que ele faz a abertura da conta. Você tem direito a quatro saques, dois extratos, duas transferências entre contas do mesmo banco e consultas via internet ilimitadas.

“Esses são os chamados serviços essenciais. Na hora de abrir a conta, o gerente tem que informar ao consumidor que ele tem direito a eles. Caso contrário, a instituição pode até ser punida”, conta a supervisora de assuntos financeiros.

Como lidar com essas situações?

Acima de tudo é preciso ter calma e pensar se realmente precisa daquele serviço. Se você está contando muito com aquele empréstimo ou seguro, por exemplo, ainda assim é melhor parar e refletir: eu sei todas as condições que estou assinando? Tenho como arcar com esses custos sem me comprometer? Não é melhor esperar juntar mais dinheiro?

“Os gerentes podem omitir muitas informações de seus clientes. E isso só piora o modo como as compras são feitas: com muita pressa, com um contrato feito muito rápido e sem as informações essenciais serem fornecidas. O consumidor precisa exigir as condições gerais do gerente. Outra medida é pedir que ele envie por e-mail ou até por correio a proposta, assim dá para estudar melhor o serviço e comparar com a oferta do concorrente antes de escolher qual levar”, orienta Renata.

Onde reclamar?

Em boa parte dos casos, o cliente assinou algo por não ter visto que estava no contrato ou por não entender tudo o que o gerente propôs. Outras vezes, ele assina um dado que realmente não estava lá e, nesse caso, ele percebe que foi enganado.



Em situações como essa, você pode recorrer a órgãos de defesa do consumidor como o Procon e o IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). Porém, a primeira medida a ser tomada é procurar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) do banco e, caso não resolva, acionar a Ouvidoria do banco. Ela tem 15 dias para resolver o problema. Se isso não acontecer, procure o Banco Central: cada caso tem um tempo diferente de resolução nesse órgão.

“Tanto o SAC quanto o banco devem esclarecer todas as ofertas quer fazem aos seus clientes, verificar qual o perfil do consumidor, se é importante mesmo adquirir o pacote; e o consumidor também tem que fazer a parte dele: pensar como ele quer usar o banco, se precisa mesmo da compra que está fazendo e, um passo muito importante, sempre procurar comparar os serviços que os bancos oferecem para saber qual é a melhor opção”, explica Renata.

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