Como chegar à terceira idade e não se endividar

Formar uma reserva financeira e saber o momento certo de pegar um empréstimo estão entre os principais cuidados para ter uma velhice tranquila.

Uma pesquisa feita recentemente pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) mostrou um número preocupante: mais da metade dos consumidores com idade superior a 60 anos têm dívidas por não saberem como controlar os gastos. Além disso, a análise mostrou que 57% dessa faixa etária não têm nenhuma reserva financeira para os imprevistos. “Os idosos, cada vez mais, estão participando do sustento da casa e contribuindo para ajudar na família. Além destas responsabilidades, eles agora têm acesso a crédito, situação que antes não era tão comum”, explica a economista chefe do SPC, Marcela Kawauti.

O número de idosos com cartão de crédito, conta em bancos e entrando no cheque especial aumentou consideravelmente nos últimos anos. Como consequência, a forma de os consumidores com mais de 60 anos darem atenção ao dinheiro também se modificou. Veja, a seguir, como evitar dívidas que prejudicarão seu orçamento na aposentadoria.

Como evitar as dívidas?

O ideal é se planejar antes da terceira idade chegar. “Poucos consumidores têm previdência privada ou uma poupança para quando ficarem idosos. Isso é ruim porque a renda vai cair quando você for mais velho e será preciso viver com menos dinheiro”, alerta Marcela. Veja as dicas para se organizar para a aposentadoria:

Com cerca de 30 anos: Se tiver condições, procure uma previdência privada. Outra ideia é poupar um pouco por mês. “Muita gente pensa que economizar 50 reais é pouco, mas ao longo do tempo, e fazendo isso todo mês, essa quantia pode ajudar lá na frente. Quanto mais cedo começar, melhor”, conta a economista.

Com 60 anos ou mais: Tenha cuidado ao pegar um empréstimo com aprovação fácil, como o consignado e o cartão de crédito, e evite emprestar o nome para que outros façam compras, abram contras em banco ou qualquer atividade do tipo. “Uma pesquisa nossa mostrou que 21% dos idosos já ficaram endividados por emprestarem o nome. A impressão que eles têm é de que vão ajudar, mas na verdade entram em uma saia justa. Se alguém está pedindo para usar o nome de outro consumidor é porque não está em uma situação financeira boa”, explica Marcela.

Para formar reservas

O primeiro passo é entender o quanto você gasta. Para isso, procure anotar tudo o que gasta, assim é possível manter o controle do orçamento e analisar se existe alguma despesa que pode ser reduzida. “Ter um planejamento e pensar no investimento que vai fazer é fundamental, além de avaliar se a compra que você vai realizar vale a pena mesmo”, orienta a especialista do SPC.

Em seguida, começa a parte mais importante. O SPC aconselha o consumidor a dividir o dinheiro em três partes com o objetivo de acumular crédito e ter um momento de lazer todo mês. São elas:

As despesas necessárias: uma parte do que você ganha deve ser usada para as despesas básicas, como contas de luz ou água e o supermercado, por exemplo. Assim, você fica sem dívidas e elimina gastos.
– Economizar: é esta etapa que vai permitir ao idoso ter uma reserva para quando ele ficar “apertado” e precisar de dinheiro em situações emergenciais. Procure poupar uma quantia que você acredite que não irá prejudicá-lo financeiramente e permitirá pagar os gastos necessários. E, lembre-se: nenhuma quantia economizada é pequena.
– Lazer: procure separar uma quantia para momentos de prazer. “Pode ser um jantar ou mesmo uma roupa que esteja com vontade de comprar. Enfim, algo que o faça aproveitar a vida sem se endividar”, explica Marcela.



A importância da família nesse processo

Familiares e amigos têm papel fundamental para orientar os idosos a lidar com as novas formas de acesso ao crédito. “Explicar a eles que pagar o mínimo da fatura do cartão de crédito é fazer uma nova dívida ou falar para eles checarem o extrato pode parecer pouco, mas não é. Os idosos não costumam ter grande familiaridade com estas ferramentas. Muitos deles pensam, por exemplo, que o que está disponível na conta do banco sempre pode gastar, e por isso contraem dívidas”, conta a especialista.

Além disso, o melhor é sempre pagar o que deve. Só com o nome limpo você poderá ter acesso a crédito. “Se não pagar é pior. E tem outra coisa: esse dinheiro da dívida poderia ser usado para comprar algo bacana que o cliente quisesse. Se ele se endividou por conta de uma viagem, por exemplo, os juros são tantos que ele acabará pagando o equivalente a duas”, alerta Marcela.

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